Dialética e Apocalipse
A dialética pode ser considerada como uma forma simplista de analisar a realidade, uma vez que simplesmente não há nenhuma razão em pensar que a mescla entre o melhor de dois pontos vai criar um resultado melhor, tendo em conta a possibilidade de que não só um, mas talvez os dois estejam completamente equivocados.
Porém, analisando a evolução das conjunturas políticas, ou de forma geral, do “politicamente correto”, é possível perceber que os valores da sociedade são fortemente influenciados pelos eventos e modelos do passado.
É fácil encontrar raízes do modelo econômico de estado de bem estar social que hoje domina o discurso político no mundo nas contradições entre o capitalismo primitivo do grande século XIX e o socialismo soviético, que prometia um mundo sem pobreza ou exploração.
Da mesma forma o modelo político que domina o discurso na atualidade, a democracia ocidental, tem sua força construída sob a vitória da democracia norte-americana ante os escombros resultantes do embate das monarquias constitucionais europeias e os movimentos extremistas de direita tais quais o fascismo, nazismo e o militarismo.
Desta forma, apesar de que a dialética não é tem uma lógica perfeita por si mesma, ela sem dúvida é uma poderosa ferramenta em ordem de criar uma narrativa a partir da qual a presente sociedade pode ser explicada, tal qual a futura predita.
Porém, entender a importância da dialética aplicada na compreensão da sociedade atual também nos faz perceber um enorme perigo, pois o fato de que as sociedades humanas se basearem com enorme ênfase no passado infelizmente implica em quão vulneráveis as sociedades humanas são preparadas para o futuro.
Um exercício mental: imagine se o imperador Inca fosse avisado pelos seus súditos a respeito do perigo dos europeus, com suas terríveis armas, montado em suas assustadoras bestas e dotados de enorme pestilência em seus corpos. Será que ele acreditaria? E, caso ele acreditasse, será que a elite Inca daria alguma importância e seguiria suas ordens? Agora faça essas perguntas sob a suposição de que as sociedades são construídas através de processos dialéticos. Pronto? Agora é que a diversão começa. Imagine que nós somos os Incas, e os espanhóis são os possíveis perigos que você acredita que a civilização humana possa enfrentar no futuro (distopia através de mega corporações, aquecimento global, anarquia, guerra nuclear, inteligência artificial, super doenças, meteoros, aliens, seja o que for…). O que achou, meu imaginário querido leitor?
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