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Yukio Mishima - O Templo do Pavilhão Dourado

(contém spoilers!) O livro é uma narração em primeira pessoa dos diálogos internos e atos na vida de Mizoguchi, um jovem japonês que cresceu em meio ao período da segunda guerra mundial. Dotado de uma personalidade introvertida, introspectiva, possuindo um grave problema de dicção e uma criação unusual, estes fatores o levaram a desenvolver uma personalidade incomum.  A história é baseada em fatos reais, e a pessoa em que o protagonista foi baseado, Hayashi Yoken, foi diagnosticada como sendo um psicopata com distúrbio de personalidade esquizóide, pelo psiquiatra que o examinou depois que ele foi detido.  Sendo o filho de um monge budista, Mizoguchi cresceu sendo preparado para se tornar um monge, o que somado às suas outras características levou uma rejeição de seus pares. Dotado de uma forte imaginação e introspecção, a ele lhe bastava seus sonhos e ideais, porém seja por falta de viver no presente ou por resignação ante a realidade ele pouco fez para torná-los reais.  ...

O escuro

Não confio em que não gosta de escuro. O manipulador, o mau caráter, o fraco que se esconde na multidão, todo aquele que tem um coração pesado pela própria hipocrisia vê no escuro o reflexo de sua feiura. O escuro é associado com o desconhecido. Quem teme o desconhecido possui mente fechada, cheia de certezas dentro de sua própria ilha de ignorância – o escuro é uma ameaça: é uma porta para a imaginação. No escuro habita o infinito, e é nas infinitas possibilidades onde o tesouro se esconde. Jamais se iluda, no escuro também há monstros – quem quer alcançar o tesouro primeiro precisa derrotar o Dragão. A clareza define, e a definição não é necessariamente ruim, só quem conhece a escuridão é capaz de apreciar a luz. “One does not become enlightened by imagining figures of light, but by making the darkness conscious.” — C. G. Jung O coração bate, e somente o sentimento é capaz de justificar a existência, eu quero o Sol e o calor, mas quando estiver perto de perder a mim m...

Dialética e Apocalipse

A dialética pode ser considerada como uma forma simplista de analisar a realidade, uma vez que simplesmente não há nenhuma razão em pensar que a mescla entre o melhor de dois pontos vai criar um resultado melhor, tendo em conta a possibilidade de que não só um, mas talvez os dois estejam completamente equivocados. Porém, analisando a evolução das conjunturas políticas, ou de forma geral, do “politicamente correto”, é possível perceber que os valores da sociedade são fortemente influenciados pelos eventos e modelos do passado.  É fácil encontrar raízes do modelo econômico de estado de bem estar social que hoje domina o discurso político no mundo nas contradições entre o capitalismo primitivo do grande século XIX e o socialismo soviético, que prometia um mundo sem pobreza ou exploração. Da mesma forma o modelo político que domina o discurso na atualidade, a democracia ocidental, tem sua força construída sob a vitória da democracia norte-americana ante os escombros re...

Primeira Causa

Tudo tem uma causa, parece óbvio certo? Mas se tudo tem uma causa, essas causas também tem causas, e aí por diante, até chegar até a causa inicial.  O problema é: qual é a causa da causa inicial?  BOOOOM Bagunçou tudo! E agora? Mesmo se for um desenvolvimento cíclico, deve haver algo que criou tal círculo, não?  Pois é, a existência de uma causa inicial é contraditória em si mesma. A única forma de explicar o universo então passa a ser admitir que existe algo além da causalidade.  Uma forma de enxergar isso é: sendo que a causalidade é relacionada com o tempo, imaginar que a causa inicial é de fato o início do próprio tempo. Portanto, que antes do tempo vir a ser, não existia causalidade. Que a natureza da causa inicial não é simplesmente detonar a sequência causal, mas ser a própria criadora da causalidade. Portanto, o sistema não é resultado de nenhuma causa. “O universo existe, portanto há causalidade.” Ainda assim, conceber um universo on...